domingo, 3 de maio de 2015

Bate papo com Eneida Serrano

Conversa com Eneida Serrano através de e-mail do dia 19/03/2015 ao dia 26/03/2015.

-Qual o tipo de equipamento que você usa?
Grande parte do meu trabalho profissional fiz com uma Nikon F3, 35mm. A Pentax 6x7, para filme 120mm, com todas as lentes possíveis, era a opção de médio formato, para fotos especiais e grandes ampliações. Ambas guardo até hoje. Um dia vou tentar vender, talvez. Desde 2002/2003, trabalho com digital. Me adaptei rapidamente e gosto muito da pós produção. Lamentei mas fechei meu laboratório PB que tive por um bom tempo. Tenho agora uma Nikon D300, que me serve plenamente para o que faço atualmente. Lentes: uma 18/200mm, uma tele 80/200mm (a melhor lente), uma olho de peixe, uma macro. Nos últimos anos, tenho desenvolvido trabalho pessoal fotografando com telefone celular. Atualmente tenho um Iphone 5, companheiro inseparável.
Acho que o mais importante numa foto é o modo de olhar. Não é nem o equipamento, que é o instrumento, nem o lugar ou a coisa fotografada, que é o referente. Eles são, evidentemente, indispensáveis, mas a particularidade de uma fotografia é determinada pelo olhar, isto é, pela intenção de seu autor. Em outras palavras, a foto é resultado de uma atitude deliberada e consciente.

-No ensaio Interiores, qual a poética usada?
Interiores  foi um desdobramento de um trabalho contratado de documentação de casas históricas. Achei que as fachadas eram insuficientes para mostrar o tipo de vida das pessoas que ali moravam. Aprofundei a ideia de identificação do morador com sua casa e busquei isso nas fotos. E se transformou num projeto independente, que me interessa até hoje. A beleza que busco está na autenticidade. São os interiores que mostram muito de seus habitantes: valores estéticos,  sincretismo cultural, dinâmica do cotidiano etc. Para essa série, muitas vezes optei pela panorâmica (várias fotos emendadas depois no Photoshop) , para dar uma visão abrangente e um pouco de estranhamento ao olhar, pois a perspectiva fica sutilmente alterada. As panorâmicas também fazem contraponto às fotos de detalhes e recantos que também passei a colecionar. 

-Quais elementos você gosta de fotografar e porque?
Qualquer coisa que tenha significado pra mim, que seja um modo de me conhecer. E de me apresentar, de dialogar. Me aproximo, com o mesmo interesse, de lugares comuns ou exóticos, de coisas ou de pessoas. A viagem mais interessante , e a única que realmente importa, é a viagem para o interior de mim mesma. 

-Quando você começou a fotografar e como você trabalhava no inicio?
No início, eu entendia a fotografia como um meio de me levar a lugares diferentes. O trabalho de foto jornalista tem essa característica. Aos poucos, fui descobrindo que , mesmo no jornalismo, imprimimos a nossa marca pessoal e que a fotografia pode ser muito mais do que documental, como eu pensava no início. 
 Antes ainda: eu entrei na Faculdade de Jornalismo porque gostava de escrever e acabei, pelas circunstâncias, dando mais ênfase às imagens do que às palavras. Construí um laboratório em casa, ganhei uma câmera dos meus pais e, um pouco sem me dar conta, estava me profissionalizando, comercializando minhas fotos. Consegui emprego num jornal e fui aprendendo e gostando e cada vez mais. 

-Qual seu interesse artístico como fotografa, ou seja, o que você gosta de fotografar?
Hoje, mais consciente do meu trabalho, vejo que eu trouxe do jornalismo a determinação e a certeza de que, só passando através de nós, é que os fatos passam a existir. E da poesia,  do Manoel de Barros principalmente, eu aprendi que é preciso ver, rever e transver o mundo. Adoro ver o que passa despercebido, valorizar o inútil. Gosto de organizar os espaços, descobrir harmonia no caos. Ver é um exercício que se desenvolve ao fazer. E nosso desempenho parece ilimitado.


Assim pude entender um pouco mais do trabalho e da poética usada pela fotografa Eneida Serrano!


instagram.com/eneidaserrano
www.eneidaserrano.com.br
eneidaserrano.blogspot.com

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