Processo de criação I ensaio!
domingo, 3 de maio de 2015
Referenciais!!
fotos do ensaio Interiores da fotografa Eneida Serrano, material que me ajudou a desenvolver a poética das minhas imagens, e do processo de construção das minhas imagens por estarem muito ligadas simbolicamente.
O estudo das memorias que me influenciaram!
A fotografia é vulgarmente considerada como um instrumento que permite conhecer as coisas.
Susan Sontag
Maria Eneida Serrano Levitan (Porto Alegre RS 1952). Fotógrafa.
Estudou jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre
Em 1974 começa a fotografar para o jornal Zero Hora.
Montou seu próprio estúdio em 1992.
Trabalhos de Eneida Serrano
•Eneida tem desenvolvido projetos autorais como:
•Mar e Tempo, selecionado para o Prêmio Porto Seguro de Fotografia, em 2009.
• Interiores, - série de panorâmicas de ambientes domésticos da serra gaúcha – que recebeu Prêmio Açorianos de Exposição Fotográfica, em 2007, em Porto Alegre.
• Londres, por Telefone, em 2008, que é a primeira de uma série de imagens obtidas com celular.
Bate papo com Eneida Serrano
Conversa com Eneida Serrano através de e-mail do dia 19/03/2015 ao dia 26/03/2015.
-Qual o tipo de equipamento que você usa?
Grande parte do meu trabalho profissional fiz com uma Nikon F3, 35mm. A Pentax 6x7, para filme 120mm, com todas as lentes possíveis, era a opção de médio formato, para fotos especiais e grandes ampliações. Ambas guardo até hoje. Um dia vou tentar vender, talvez. Desde 2002/2003, trabalho com digital. Me adaptei rapidamente e gosto muito da pós produção. Lamentei mas fechei meu laboratório PB que tive por um bom tempo. Tenho agora uma Nikon D300, que me serve plenamente para o que faço atualmente. Lentes: uma 18/200mm, uma tele 80/200mm (a melhor lente), uma olho de peixe, uma macro. Nos últimos anos, tenho desenvolvido trabalho pessoal fotografando com telefone celular. Atualmente tenho um Iphone 5, companheiro inseparável.-Qual o tipo de equipamento que você usa?
Acho que o mais importante numa foto é o modo de olhar. Não é nem o equipamento, que é o instrumento, nem o lugar ou a coisa fotografada, que é o referente. Eles são, evidentemente, indispensáveis, mas a particularidade de uma fotografia é determinada pelo olhar, isto é, pela intenção de seu autor. Em outras palavras, a foto é resultado de uma atitude deliberada e consciente.
-No ensaio Interiores, qual a poética usada?
Interiores foi um desdobramento de um trabalho contratado de documentação de casas históricas. Achei que as fachadas eram insuficientes para mostrar o tipo de vida das pessoas que ali moravam. Aprofundei a ideia de identificação do morador com sua casa e busquei isso nas fotos. E se transformou num projeto independente, que me interessa até hoje. A beleza que busco está na autenticidade. São os interiores que mostram muito de seus habitantes: valores estéticos, sincretismo cultural, dinâmica do cotidiano etc. Para essa série, muitas vezes optei pela panorâmica (várias fotos emendadas depois no Photoshop) , para dar uma visão abrangente e um pouco de estranhamento ao olhar, pois a perspectiva fica sutilmente alterada. As panorâmicas também fazem contraponto às fotos de detalhes e recantos que também passei a colecionar.
-Quais elementos você gosta de fotografar e porque?
Qualquer coisa que tenha significado pra mim, que seja um modo de me conhecer. E de me apresentar, de dialogar. Me aproximo, com o mesmo interesse, de lugares comuns ou exóticos, de coisas ou de pessoas. A viagem mais interessante , e a única que realmente importa, é a viagem para o interior de mim mesma.
-Quando você começou a fotografar e como você trabalhava no inicio?
No início, eu entendia a fotografia como um meio de me levar a lugares diferentes. O trabalho de foto jornalista tem essa característica. Aos poucos, fui descobrindo que , mesmo no jornalismo, imprimimos a nossa marca pessoal e que a fotografia pode ser muito mais do que documental, como eu pensava no início.
Antes ainda: eu entrei na Faculdade de Jornalismo porque gostava de escrever e acabei, pelas circunstâncias, dando mais ênfase às imagens do que às palavras. Construí um laboratório em casa, ganhei uma câmera dos meus pais e, um pouco sem me dar conta, estava me profissionalizando, comercializando minhas fotos. Consegui emprego num jornal e fui aprendendo e gostando e cada vez mais.
-Qual seu interesse artístico como fotografa, ou seja, o que você gosta de fotografar?
Hoje, mais consciente do meu trabalho, vejo que eu trouxe do jornalismo a determinação e a certeza de que, só passando através de nós, é que os fatos passam a existir. E da poesia, do Manoel de Barros principalmente, eu aprendi que é preciso ver, rever e transver o mundo. Adoro ver o que passa despercebido, valorizar o inútil. Gosto de organizar os espaços, descobrir harmonia no caos. Ver é um exercício que se desenvolve ao fazer. E nosso desempenho parece ilimitado.
Assim pude entender um pouco mais do trabalho e da poética usada pela fotografa Eneida Serrano!
instagram.com/eneidaserrano
www.eneidaserrano.com.br
eneidaserrano.blogspot.com
quarta-feira, 25 de março de 2015
Os 12 macacos.
O filme os 12 macacos que foi dirigido por Terry Gilliam, é, na verdade, uma releitura, ou se preferir adaptação da fotomontagem “La jetée” do ano de 1962.
Esses filmes têm formatos totalmente diferentes, porém tanto nos 12 macacos quanto em La Jetée, as histórias são as mesmas, onde um homem que vive em um futuro incerto é enviado no futuro para descobrir como curar um vírus que a anos destruiu 99% de toda a humanidade.
O filme começa de forma misteriosa que nos remete ao pensamento de que tudo que está acontecendo na verdade é: uma lembrança de infância, um sonho sem explicação ou uma imagem do futuro?
Muitas das cenas apresentadas remetem ao pensamento e o questionamento, do de realmente foi vivido ou se tudo não passa do sonho. Sonhos ou alucinações de um homem que por viver aprisionado a tanto tempo, busca uma outra realidade para dar sentido a tudo aquilo que está vivendo, o processo livre da mente e ao mesmo tempo uma válvula de escape para suas lembranças de louco.
Aos poucos tudo vai ficando um pouco mais claro e com um sentido de entendimento mais fácil. Onde a primeira cena do filme parece ser uma lembrança de regresso ao passado realmente, onde todas as suas memórias ficaram guardadas como um dejavu. A primeira e última cenas se ligam de formar a parecer que aquele ciclo começa e termina em um mesmo momento e parece não ter fim.
Uma questão que é colocada no filme é que o homem é adaptável ao tempo, e que por mais que tentemos controlar o tempo, ele é incontrolável, ele não pode ser manipulado..
O filme deixa claro que não detemos o controle do tempo, enquanto apontamos para o amanha, esquecemos do presente e esquecemos do passado, perdendo assim as nossas lembranças.
quinta-feira, 12 de março de 2015
A Câmera Clara - Autor Roland Barthes
Característica
essencial e marcante que chama atenção no livro A Câmera Clara do autor Roland
Barthes é que ele é um livro que trata sobre fotografia, mas não apresenta
contexto técnico e sim a busca pela poética na fotografia.
O
autor começa o livro nos remetendo as lembranças e sensações que uma fotografia
pode causar quando ele cita “vejo os
olhos que viram o imperador” se referindo a uma foto do irmão do imperador
Napoleão. Barthes faz essa citação nos remetendo que a fotografia pode nos
levar a imaginar coisas que jamais fomos capazes de ver.
Voltando
ao livro ele começa falando de como a fotografia pode ser submetida a uma divisão, pois para ele tal nunca
poderia ser classificada porque não existe, as três divisões que Barthes cita
são as considerações em relação as fotografias empíricas, estéticas e
retóricas.
O
autor define a fotografia também em três processos, que é o fazer (se referindo
ao fotografo) o suportar (referente ao
fotografado) e por ultimo o olhar (quando se refere aos que apenas observam a
imagem já pronta), e é assim que ele se refere. Barthes comenta o registro do
passado e da morte na fotografia, pois ela
registra um momento único e o imortaliza.
Barthes
também questiona a quem pertence a fotografia na verdade? Ao fotografo que
registrou o momento, a cena em questão, ou ao fotografado que pousa para a
foto? Essas questões levantadas pelo autor não tem uma resposta definida.
A fotografia envolve diversos elementos, mas o
principal deles é o olhar, a fotografia nasce desde o primeiro olhar até a
captação da imagem, alem dos outros diversos elementos que estão incluído no
processo de criação como a estica, a história, a química, a física. A fotografia
tem diversas funções na sociedade, pois segundo Barthes ela pode ser
informativa, jornalística, histórica, critica, representativa.
A
fotografia traz consigo lembranças do teatro primitivo, que cultuava os mortos,
a fotografia apresenta essa característica, imortalizar um momento ou fazer
lembrar os mortos, a fotografia no mostra a imagem congelada, imóvel do mesmo
modo como lembramos os mortos.
A
fotografia tem uma função histórica para a humanidade, ela pode fazer registros
instantâneos de tudo aquilo que se foi, se perdeu no tempo em fração de
segundos, como o bater das assas de um beija-flor, ela registra o que acontece.
A fotografia congela o nosso olhar, o sentimento, o subjetivo. É a captura do
agora que já se foi.
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